BIENVENIDOS!!!

BIENVENIDOS!!!
Rabi Marcelo Barzilai.

sábado, 31 de março de 2012


A Parashat HaShavua (porção da leitura da Tora desta semana) é chamada de “Tzav” – Ordene.
A Parashat Tzav começa com D'us continuando a ensinar Moshe muitas das várias leis relativas ao serviço no Mishkan, Santuário.
Entretanto, enquanto a Porção da semana passada descreveu os Korbanot, sacrifícios, da perspectiva do doador, nesta semana a Tora concentra-se mais diretamente nos Cohanim, fornecendo mais detalhes sobre seu serviço.
A Torá instrui a Aharon e seus filhos as leis adicionais de seu serviço.
As cinzas do Korban Olá - o oferecimento queimado no altar durante a noite - são removidas do altar e área pelo Cohen, após ele retirar sua roupa especial de linho. Aquele que esqueceu de cumprir um mandamento positivo, traz a Olá. O Cohen guarda a pele.
A Parashá descreve os Korbanot especiais oferecidos pelo Cohen Gadol diariamente; por Aharon, seus filhos e descendentes no dia de sua inauguração.
O Korban Chatat era trazido após uma transgressão acidental e é descrito; assim como as leis de degola e asperção de sangue no Korban Asham, por culpa.
Os detalhes dos Shelamim, diversos Korbanot de paz são abordados, incluindo a proibição contra não ingerir até a manhã as sobras do Todá, o Korban de agradecimento.
Todos os sacrifícios devem ser queimados quando não puderem mais ser comidos. Nenhum sacrifício deve ser ingerido se foi abatido com a intenção de ser comido tarde demais. Quando se tornaram ritualmente impuros, os Korbanot não podem ser comidos e devem ser queimados. Aquele que é ritualmente impuro não pode comer o Korban.
Sangue e chelev, gordura de animais proibidos, não podem ser comidos. Aharon e seus filhos recebem o peito e a perna de todo Korban Shelamim.
Finalmente, Moshe realiza os prolongados miluim, serviço de consagração do Mishkan, e Moshe unge e introduz Aharon e seus filhos para o serviço deles no Mishkan, em frente de toda a congregação de Israel.

Mensagem de Pessach

Heroísmo em Pessach
A história de Pessach é uma das mais conhecidas. Tem sido contada por mais de três mil anos. O que mais me fascina, entretanto, é um aspecto poucas vezes mencionado. Pergunte a qualquer pessoa, judeu ou não-judeu, quem é o herói humano do Êxodo, e a resposta certamente será: Moshe, o libertador, profeta e lutador pela justiça.
Porém a Torá conta uma história mais complexa e inesperada. Juntamente com Moshe - tornando sua missão, até mesmo sua vida, possíveis - estão outras seis figuras, todas mulheres. Estranho como possa parecer, os heróis do êxodo são heroínas. E Quem foram elas?
A primeira foi Yocheved, esposa de Amram, e mãe das três pessoas que tornar-se-iam os grandes líderes dos israelitas, Miriam, Aharon e o próprio Moshe. Foi Yocheved que, no auge da perseguição egípcia, teve a coragem de ter um filho, escondê-lo por três meses, e então arquitetar um plano para dar-lhe uma chance de ser resgatado. Sabemos muito pouco sobre Yocheved. Em sua primeira aparição na Torá, não é nomeada. Mesmo assim, lendo a narrativa, não temos dúvidas sobre sua bravura e presença de espírito. Não foi por acaso que seus filhos tornaram-se todos líderes.
A segunda foi Miriam, filha de Yocheved e irmã de Moshe. Foi ela quem vigiou o bebê enquanto o cestinho flutuava rio abaixo, e quem se aproximou da filha do faraó com a sugestão de que ele fosse amamentado em meio a seu próprio povo. Uma vez mais o texto bíblico pinta um retrato da jovem Miriam como uma figura de invulgar coragem e presença de espírito. A tradição rabínica vai mais além. Em um notável midrash, lemos como a jovem Miriam enfrentou o pai, Amram, e persuadiu-o a mudar de idéia. Informado sobre o decreto dizendo que cada bebê judeu do sexo masculino seria afogado no rio, Amram conclamou os israelitas a divorciarem-se, para que não mais houvessem crianças. Havia uma certa lógica nisso. Seria certo trazer crianças ao mundo, se havia 50% de chance de que fossem assassinadas logo ao nascer?
Mesmo assim Miriam, diz a tradição, queixou-se a ele: "Seu decreto," disse ela, "é pior que o do faraó. O dele afeta apenas os meninos; o seu afeta a todos os bebês. O decreto dele priva as crianças da vida neste mundo; o seu os privará da vida até no mundo vindouro." Amram cedeu, e como resultado, nasceu Moshe. A implicação da história é clara - Miriam tinha mais fé que seu pai.
A terceira, e de certo modo a mais intrigante, é a filha do faraó, que a tradição chama de Batya. Foi ela quem teve a coragem de resgatar uma criança israelita e criá-la como sua, no próprio palácio onde seu pai tramava a destruição do povo judeu. Podemos imaginar uma filha de Hitler, Eichmann ou Stalin fazendo o mesmo? Existe algo ao mesmo tempo heróico e gracioso sobre esta figura apenas esboçada, a mulher que deu nome a Moshe.
A quarta faz sua aparição mais tarde na narrativa. Tzipora, a mulher de Moshe. Filha de um sacerdote midianita, mesmo assim está determinada a acompanhar Moshe em sua missão no Egito, apesar de não ter razão alguma para colocar em risco sua vida em uma aventura tão delicada. Em uma passagem profundamente enigmática, é ela quem salva a vida de Moshe ao realizar a circuncisão em seu filho. Temos sobre ela a impressão de ser uma figura de tremenda determinação que, no momento crucial, entendeu melhor que o próprio Moshe à vontade de D'us.
Deixei para o final as figuras que aparecem primeiro, porque são elas que mais fizeram para alargar os horizontes morais da humanidade. Refiro-me às duas parteiras, Shifrá e Puá, que frustraram a primeira tentativa do faraó de cometer genocídio. Instruídas a matar as crianças israelitas na hora do nascimento, elas "temeram a D'us e não fizeram aquilo que o rei do Egito lhes ordenara fazer; deixaram os meninos viverem."
Intimadas e acusadas de desobediência, enganaram o faraó inventando uma engenhosa história: as mulheres judias, disseram elas, são fortes, e deram à luz antes que chegássemos. Escaparam do castigo e salvaram vidas.
A importância desta história é que trata-se do primeiro exemplo que conheço de uma das maiores contribuições do Judaísmo à civilização; a idéia de que há limites morais para o poder. Existem instruções que não devem ser obedecidas. São crimes contra a humanidade, que não podem ser desculpados sob a alegação de que "eu estava apenas cumprindo ordens."
Este conceito, geralmente conhecido como 'desobediência civil,' é comumente atribuído ao escritor americano do século XIX Henry David Thoreau, e penetrou na consciência internacional após o Holocausto e os Julgamentos de Nuremberg. Sua verdadeira origem, entretanto, remonta a milhares de anos antes, nas ações de duas mulheres, Shifrá e Puá. Com sua coragem não declarada, mereceram um incomparável tributo entre os heróis da vida moral. Elas nos ensinaram a primazia da consciência sobre o conformismo, da lei da justiça sobre a lei do país.
Neste Pessach, contemos a história das mulheres cuja fé, coragem e recursos morais tornaram possível o êxodo. "Foi por causa de mulheres justas," disseram os sábios, "que nossos ancestrais foram redimidos do Egito." Eis que sua memória ainda tem o poder de trazer-nos inspiração e não só a alegria da preparação do Seder de Pessach com sua deliciosa comida .
Por Rabino Jonathan Sacks, rabino chefe da Inglaterra


Dizeres de Pessach

Amor Mútuo
D'us sempre se orgulha das virtudes do povo judeu e o louva, e o povo, por sua vez, sempre louvou a grandeza de D'us.
Rabi Levi Yitschac de Berdishev dá um exemplo disto através da forma distinta como D'us e seu povo referem-se à festa de Pessach.
Enquanto os judeus escolheram o nome "Pessach", D'us a chama "a Festa do Pão Ázimo". Por que?
Enquanto Pessach significa "passar por cima", em agradecimento ao Criador por ter "passado" por cima das casas do povo judeu e ter poupado seus filhos da praga da morte aos primogênitos, a Torá, por outro lado, classifica como "A Festa do Pão Ázimo" para salientar a virtude do povo judeu que na saída do Egito, partiram sem levar provisões, apenas uma massa de pão que nem teve tempo de crescer ou assar, em um ato de total confiança e eterno amor ao Criador.
As Dez Pragas
O grande sábio Rashi demonstrou que as pragas seguem a mesma estratégia que era criada pelos reis da antiguidade ao imporem o cerco ao inimigo.
Primeiro é cortado o suprimento de água da cidade sitiada, para obrigar os habitantes à submissão (correspondendo à praga do sangue). Então o exército é instruído a tocar instrumentos fazendo ruídos altos, assustadores, de forma a deixar os habitantes nervosos e abalar sua resolução de lutar (correspondendo ao coaxar dos sapos); e assim por diante, durante todas as dez pragas, culminando com a morte dos primogênitos egípcios e finalmente libertando os judeus da escravidão.
Betzá - ovo duro
Uma das inúmeras idéias relacionadas com o ovo colocado como símbolo na travessa do Seder é de que, normalmente, um alimento quanto mais é cozido, mais macio se torna. No caso do ovo é o contrário; quanto mais se coze, mais duro se torna. Assim é o povo judeu: quanto mais é oprimido ou afligido, como ocorreu no Egito, mais fortalecido e numeroso se torna.
Derramar vinho
Por que é costume derramar um pouco de vinho enquanto as Dez Pragas são mencionadas?
Para que todo judeu lembre-se de que em todo e qualquer momento em que celebra sua felicidade, seja neste caso, a vitória do bem sobre o mal, da escravidão para a liberdade, deve lamentar o sofrimento e a morte de seres humanos, mesmo sendo estes seus piores inimigos.
Dez níveis
As três matzot, os seis símbolos e a própria travessa do Seder somam 10 elementos no total e representam as 10 sefirot (níveis cabalísticos), através das quais a luz Divina será revelada no mundo.
Farinha e água
Ambos chametz e matzá são feitos de farinha e água. Entretanto, o chametz cresce, simbolizando uma atitude de egoísmo inflado e orgulho exagerado. Em contraste, a matzá permanece fina, aludindo à humildade e submissão. Comendo matzá, internalizamos estas qualidades, fazendo com que sejam partes integrantes de nossa carne e sangue.
Liberdade no passado e presente
Em cada geração uma pessoa é obrigada a considerar-se como tendo realmente saído do Egito. Com o Êxodo, adquirimos a natureza e qualidades de homens livres. Esta natureza é mantida apenas porque D'us está constantemente nos libertando do Egito. O milagre da redenção não é um evento do passado, mas um fato constante em nossas vidas. Portanto, a redenção do Egito e a subseqüente experiência da entrega da Torá estabelece a identidade do povo judeu como "servos de D'us", e não "servos de servos".
Matzá
Com apenas este alimento não fermentado, nossos ancestrais confiaram que o Todo-Poderoso forneceria o sustento para toda uma nação de homens, mulheres e crianças. Assim, os únicos "ingredientes" para a fé são humildade e submissão a D'us. O Zôhar explica que a matzá ingerida no primeiro Seder desperta a fé, enquanto a do segundo traz a cura.
O ausente
Os quatro filhos, embora diferentes no comportamento, têm algo em comum: eles todos participaram da mesa do Seder. Mesmo o filho perverso faz perguntas sobre Torá e mitzvot, e podemos esperar que retornará ao caminho.
Infelizmente, nos dias de hoje temos o quinto filho, que não está presente à mesa do Seder, e nem ao menos sabe o que é o Seder. É nossa obrigação procurar este quinto filho, convidá-lo à nossa mesa e usar esta oportunidade para reunir mais um a compartilhar de nossa maravilhosa herança.
O poder da fé
Sobre o versículo: "Os judeus viram a grande mão de D'us no Egito e eles acreditaram em D'us", o rabino de Gur comenta que mesmo depois que viram D'us, precisavam ainda assim ter fé. A fé é mais forte que o ato de "ver"; se encontra em um nível muito mais elevado que a simples visão.
Os quatro copos de vinho
O vinho é sinônimo de alegria e liberdade. Há várias explicações para as quatro taças. Entre elas, a de que simbolizam as quatro promessas de D'us de redenção descritas na Torá, com relação a libertação do povo judeu do Egito: "Eu os libertarei do trabalho no Egito; e Eu os libertarei da escravidão. Eu os redimirei com braço forte e estendido e Eu os guiarei para serem Meu povo."
Os filhos de Israel, mesmo no exílio egípcio, tinham quatro grandes méritos: não trocaram seus nomes hebraicos, falavam a língua hebraica, levaram uma vida altamente moral e permaneceram leais uns aos outros e a D'us.
Os 4 Filhos
A Torá nos fala de quatro filhos: o sábio, o perverso, o tolo e aquele que não sabe perguntar. Há observações interessantes a serem feitas sobre eles. Uma delas é a razão pela qual o filho perverso não é mencionado por último, mas logo após o filho sábio. O motivo é que estando próximo ao filho sábio, passa a ser deste a responsabilidade de ensinar ao perverso a enxergar o bem, ao invés do mal.
A Torá coloca o tolo e aquele que não sabe perguntar por último, pois a ignorância é algo muito grave. Se eles tivessem perguntado, buscado, diferenciado entre o certo e o errado, teriam adquirido sabedoria. Mas por estarem completamente "desconectados", não possuem nada. Já o perverso possui um potencial muito maior, por estar por dentro do assunto e ter se tornado um conhecedor, embora mal intencionado. Mas ele entretanto possui o potencial de mudar. Que possa o filho sábio estar a seu lado para influenciá-lo na escolha do bem.
Mesmo o filho sábio, não deve se descuidar. Não deve achar que por causa de sua sabedoria, nada irá lhe abalar. É da sua natureza querer experimentar, inventar, conhecer. Em todos estes momentos deverá tomar muito cuidado: deverá ter em mente que o mal está sempre espreitando ao seu lado.
Por que milagres não acontecem?
Um aluno aproximou-se do rabino Eliezer e perguntou:
"Por que a gente vê tantos milagres acontecerem na saída dos judeus do Egito, e hoje, nenhum?"
"Você se lembra quando os romenos conquistaram uma cidade vinte anos atrás? Na mesma hora saíram em uma grande marcha exibindo todos seus homens e armas, em um desfile pelas ruas, orgulhosos. Por que após esta data nunca mais fizeram esta exibição? Porque quando alguém conquista um país deseja mostrar quem é que manda. Já que sabemos, de antemão, quem manda no mundo, e que já foi afirmado por D'us através de grandes milagres, então basta; já sabemos!"
Por que reclinar-se?
Nos tempos antigos, apenas às pessoas livres era permitido reclinar-se enquanto comiam.
Uma vez que Pessach é a Festa da Libertação, sentamos todos reclinados.
Punição
O Rambam explica que, embora os egípcios estivessem apenas cumprindo a Vontade Divina a fim de que os judeus tivessem que suportar exílio e servidão, mesmo assim, a razão pela qual foram punidos é que cada indivíduo egípcio foi culpado de sua opressão pessoal aos judeus.
Embora D'us tenha indicado que a escravização e perseguição dos judeus ocorreria por parte de uma "nação", este conhecimento prévio não obrigou nenhum egípcio em particular a cumprir estes atos. Cada egípcio participou na subjugação dos judeus por sua própria vontade. Se tivesse escolhido, poderia ter deixado de juntar-se às massas, pois D'us meramente declarou que o povo como um todo seria escravizado.
Seder: um princípio pedagógico
O Seder, além de seu valor intrínseco, destaca claramente o elemento básico da tradição: o papel do pai como professor dos filhos.
"Tudo certo"

Pouco após sua mudança e se encontrar instalado na Terra de Israel, o Rabino Chaim Meir de Vijnits falou a seus discípulos: "Há algo que aprecio muito neste país. As pessoas sempre dizem: 'Hacol b'sêder', está tudo certo!'
Eles não imaginam como estão certos! Hacol, (tudo) depende do que aconteceu durante o Seder (de Pessach)."

Elementos do Seder

Hagadá
Nas duas primeiras noites de Pessach reunimos a família e amigos em torno da mesa e esperamos a recitação do kidush pelo condutor do Seder para iniciarmos a Hagadá.
É importante que cada convidado tenha sua própria Hagadá, ou sente-se ao lado de alguém que a tenha, para que possa acompanhar, passo a passo, o que deverá ser feito na língua que é comum a todos.A Hagadá narra o êxodo do Egito e os milagres que D’us nos fez até que nos tornássemos um Povo. Eis uma amostra abaixo:
Keará
1. BETZÁ (Ovo cozido)
Representa o sacrifício de Chaguigá trazido ao Templo Sagrado em Pessach).
2. ZERÔA
O pescoço de frango grelhado simboliza o cordeiro pascal trazido ao Templo Sagrado na véspera de Pessach. A carne do pescoço é removida e o osso queimado. O zerôa não é comido no decorrer do Seder. Zerôa (literalmente, antebraço) remete ao fato de D'us haver tirado o povo do Egito com "Seu braço estendido".
3. MAROR (ERVAS AMARGAS)
Simbolizam a amarga escravidão do povo judeu no Egito. Para o maror pode-se usar raíz-forte crua descascada e ralada; folhas de endívia; talos ou folhas de alface romana lavados e verificados; ou a combinação de todos.
4. CARPÁS
A cebola crua (ou a batata cozida) é mergulhada na água salgada para despertar a curiosidade das crianças.
Os vegetais simbolizam o potencial de crescimento e renascimento e a água salgada, nas quais são mergulhados, recorda as lágrimas derramadas pelos nossos antepassados no Egito.
A palavra hebraica "carpás", quando lida de trás para frente, simboliza os 600 mil judeus no Egito forçados a realizar trabalhos pesados (cada letra do alfabeto hebraico possui um valor numérico correspondente; a letra hebraica "sámech" é igual a 60, multiplicado por 10 mil; as outras três letras correspondem a pêrech - trabalho pesado).
5. CHAROSSET
Maçãs, pêras e nozes liquidificadas ou raladas, misturadas com uma pequena quantidade de vinho tinto, lembram, na cor e consistência, a argamassa usada no Egito para fabricar tijolos.
6. CHAZERET

Mais ervas amargas (das enumeradas para o maror) para serem ingeridas no "sanduíche" (Corêch do Seder).


De Pai para Filho - Reflexão

Uma Escravidão Chamada Liberdade
Entrelaçado na magnífica tapeçaria de símbolos, costumes e cerimônias do Seder de Pessach está o insuperável tema da liberdade.
Embora a liberdade possa ser expressa em cerimônias simples como reclinar à maneira dos homens livres, bebendo quatro taças de vinho e repetindo o mantra "nós somos homens livres", o profundo conceito de liberdade realmente envolve e permeia nossa essência.
A liberdade é percebida com mais freqüência como a ausência de escravidão – assim como a escravidão pode ser definida como a ausência de liberdade. Mas na realidade, a ausência de escravidão em si não cria uma condição de liberdade.
A escravidão é uma condição na qual a pessoa é para sempre forçada a agir de acordo com a vontade de outro. Liberdade é a capacidade do ser humano de agir e expressar-se.
Para que o homem possa agir independentemente, deve querer expressar sua singularidade. Aquele que não possui o desejo da auto-expressão e realização independente – seja porque seu espírito foi alquebrado ou jamais se desenvolveu – não pode ser considerado um homem livre. Ele não é livre, apesar de não estar mais sendo fisicamente escravizado; é meramente um escravo abandonado – um escravo sem amo.
O milagre do Êxodo não foi completado com o Êxodo em si. O povo judeu precisava ser de homens livres, não meramente escravos fugitivos.
Avraham Ibn Ezra descreve assim a situação: "Nas praias do Mar Vermelho, os judeus quiseram genuinamente escapar do fardo da escravidão; porém, tendo passado a vida toda como escravos, não podiam simplesmente jogar fora a afinidade que tinham desenvolvido em relação a seus feitores. Somente depois que a geração nascida no cativeiro tinha falecido, o povo judeu pôde entrar na Terra de Israel e construir uma nação de homens livres."
Um escravo carrega um duplo fardo – é forçado a obedecer ao amo e não tem vontade própria. Assim, uma pessoa que esteja ciente de sua singularidade e individualidade jamais pode ser escravizada. E no outro extremo, quem não possui uma auto-imagem positiva jamais pode considerar-se realmente livre.
Os mesmos princípios que escravizam um indivíduo podem se ampliar a uma nação inteira, no nosso atual galut, ou exílio. A verdadeira redenção envolve mais que sair do exílio. Está implícito no estado de exílio a destruição e subjugação da vontade de um povo e sua concessão coletiva aos ditames de um país estrangeiro.
Um grupo de pessoas que deixa sua terra de livre e espontânea vontade, que determina seu estilo de vida segundo seus próprios valores, não pode ser considerado como vivendo no exílio. Estão apenas vivendo numa terra estrangeira. Desde que estejam em liberdade para expressarem sua essência, não são realmente exilados. O exílio é escravidão somente quando inibe e abafa a auto-expressão e a autodeterminação.
Como a escravidão, o exílio é até certo ponto uma condição física, mas sua qualidade essencial é a do espírito. É rendição e abdicação – aceitar um conjunto de valores, atitudes e costumes que são contrários ao "eu" privado ou coletivo.
O judeu perseguido tem estado no exílio por incontáveis gerações, durante as quais precisou mudar sua maneira de viver. Uma nação que era basicamente agrícola tornou-se um país de mercadores; um povo independente foi reduzido à escravidão e curvou-se a um governo estrangeiro, jogado para lá e para cá. Mas com tudo isso – desde que o povo judeu mantivesse seu legado e seus princípios espirituais, seu modo interior de vida e comportamento – ele não foi um povo escravizado.
O judeu em todos esses anos de exílio e perambulação tinha de viver em paz com sua incapacidade de dirigir seu próprio destino em muitas áreas da vida. Porém seu exílio jamais foi completo, porque o judeu não se considera desprezado ou inferior. Assim, desde que retivesse o âmago de seu ser interior, sua conexão com D’us não somente o consolou, mas também serviu como seu país nativo, uma entidade que o exílio não poderia danificar ou diminuir.
O exílio completo, tanto espiritual quanto físico, começou com a assimilação. Sempre que o judeu assimilado perde seu excepcional senso de si mesmo, perde sua independência. Mesmo que tenha liberdade pessoal, seu exílio nacional é completo. Seu verdadeiro eu não dirige mais seu estilo de vida. A vida do judeu assimilado é estabelecida e determinada por influências alienígenas, tanto na vida espiritual quanto na física.
Mesmo quando o judeu assimilado mora num país onde os estrangeiros não mais ditam de que maneira ele deve se conduzir, vive num estado de exílio. Leva consigo a condição de exílio em seu sentido mais profundo. Está privado de seu verdadeiro eu, o eu que o conduz à liberdade. Culturas alienígenas talvez não o escravizem fisicamente, mas continuam a governá-lo espiritualmente e a roubá-lo de seu legado.
Um famoso ditado chassídico declara: "É mais fácil tirar o judeu do exílio que tirar o ‘exílio’ do judeu.
por Rabi Adin (Steinsaltz) Even Yisroel
 

O Talmud descreve que a razão pela qual fazemos tantas coisas e de forma específica durante o Seder é para estimular as perguntas dos filhos para darmos as respostas.
O princípio pedagógico afirma que a melhor compreensão e lembrança de algo ocorre quando envolve o interesse e curiosidade do aluno. Ao estimular o interesse das crianças durante o Seder podemos esperar que as lições da noite sejam duradouras e marcantes. Como disse um grande mestre: "É melhor que façam as perguntas ainda em casa, para que pais e professores respondem, do que esperar que pessoas lá fora o façam. Quando isto ocorre é tarde demais para tentar responder."

O fogo no altar deve ser mantido constantemente ardendo. O Korban Minchá é uma oferenda de refeição de farinha, óleo e especiarias. Parte é queimada no altar e o restante é comido pelo Cohen antes que fermente.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A CABALÁ DO ANO NOVO – 5772 ( por DAVID ZUMERKORN )

A CABALÁ DO ANO NOVO – 5772


David Zumerkorn

Se pudéssemos expressar em uma única palavra o significado numérico do novo ano judaico – 5772 – seria “OTIMISMO”.

As combinações envolvendo o valor numérico (guimátria) deste ano podem dar alguns sinais muito importantes para o povo de Israel.

Apresentamos abaixo algumas idéias desenvolvidas:

Para começar, conforme está escrito no Salmo 73:1 “Mismor Leassaf: Ach Tov Yisrael – Uma canção de Assaf, (Ach) certamente “D-us” é Bom para Israel”. A palavra em hebraico Ach que é composta por duas letras, o Aleph (1) e o Kaf (20) tem valor numérico de 21. Assim, conforme interpreta o grande cabalista Arizal, podemos ler este versículo como: “21 é bom para Israel”.

Se somarmos os números que envolvem o novo ano: 5 + 7 + 7 + 2, teremos 21. Somente com este versículo já temos um bom sinal a respeito do ano que se inicia.

O número ´772, é a guimátria da frase em hebraico: Ilan Tov Nossê Pri Tov – Uma boa árvore carrega um bom fruto, ou melhor, este ano está carregado de frutos suculentos.

De 5772 podemos separar em 57 e 72. O 57 é a guimátria de algumas palavras em hebraico. Temos (Zan – Sustento), (Ochel – Comida) e também (Dagan – Grão), todas associadas a frase em hebraico –“Baruch Ata Hashem Elokeinu Melech Haolam HaZan et Hakol” – Bendito seja o Eterno nosso D-us Rei do universo que sustenta a todos”, cuja palavra HaZan é a 7ª. palavra da benção.

O segundo número 72 também é a guimátria de (Chessed – Bondade), além de ser a expansão de um dos Nomes de D-us. Assim podemos interpretar que este ano, com ajuda de HaKadosh Baruch Hu, será um ano que seremos sustentados com bondade.

Este ano também pode ser conhecido pelas letras em hebraico Ayin Beit. Ayin significa olho e Beit - casa. Desta temos: De olho na casa, podendo ser: “Neste ano” Hashem estará de olho em Eretz Israel – A casa do povo de Israel.
Encontramos em Vaikrá Rabbah: “Todos os setes são queridos”

Assim temos:

5 7 7 2  5 + 2 = 7  7 7 7

Este é um indicativo de que este ano é muito querido para D-us.

A letra que representa o número 7 é a Zayin, da palavra Zan (sustento). Assim como o Shabat que é o 7º. dia, provê o sustento para toda a semana, notamos que as letras que representam este ano Tav, Shin , Ayin e Beit - “5´772”, são as mesmas da palavra Shivat (sete).

Uma outra configuração do ano 5772 pode ser:


5 77 2


77 também é a guimátria de (Mazal – sorte) e de (Oz – força). O número 52 equivale a duas vezes o Nome de D-us que vale 26.



Por fim, as letras iniciais deste ano Tav, Shin , Ayin e Beit - “5´772”, podem ser lidas como Tihiê Shnat Biniam Olam - Este é o ano da construção eterna ou da construção do mundo.

Na Amidá a 14a. benção diz respeito a Yerushalaim e Biniam Olam, desta temos que 14 = 7 + 7.



Em síntese, percebemos que os sinais a respeito deste ano são excelentes, cabendo a cada um de nós, com ajuda de Hashem, criarmos os receptáculos necessários para obter toda esta chuva de bênçãos.



Que seja a vontade do Altíssimo trazer um ano muito doce à Kol Am Yisrael, com muita saúde, sustento e felicidades, fazendo deste ano o momento para uma nova construção eterna em Jerusalém.





David Zumerkorn é autor do livro Numerologia Judaica e Seus Mistérios – Ed. Maayanot, que está indo para a 3ª. Edição no Brasil, além do mesmo ser traduzido ao espanhol e inglês. Por ser um palestrante especializado no tema, atrai muitas pessoas, tendo inúmeros artigos divulgados em jornais e revistas.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

CENTRO DE SABEDORIA HEBRAICA
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sábado, 29 de maio de 2010

O INSTITUTO

O Instituto Israelita “Teshuvá” foi criado com o objetivo de resgatar a Tradição e a Cultura, seja física e/ou espiritual, na vida daqueles que buscam conhecer ao Deus de Israel.


Sabemos que muitos, descendentes ou não, tem encontrado dificuldades para entender as confusas doutrinas pregadas pelas mais diversas denominações religiosas e/ou filosofias esotéricas que propõem religar a natureza humana ao Criador, entretanto, acabam por permitir um distanciamento ainda maior. A falta de conhecimento descaracteriza o conceito de Povo, que mesmo buscando atuar em grupos não conseguem manter uma unidade. Desde os tempos mais remotos a unidade foi a principal marca dos Israelitas aliada à busca do “saber”.

Um Deus único para um Povo único. Este é um princípio fundamental que une o aprender a “Receber”.

O relacionamento dos Servos com o Eterno sempre expressaram a verdadeira intimidade e ligação necessárias aos propósitos da vida em sociedade. Uma sociedade regida por uma legislação única e imutável, conforme estudamos na Santa Torah, quando imaginamos a figura dos Sábios, incentivando o seu cumprimento, dando continuidade ao mesmo formato congregacional, ensinando e aprendendo em casa e nas Sinagogas e sendo aceitos normalmente pelos Israelitas de sua época, não porque falavam de novas doutrinas, mas porque enfatizavam com propriedade os ensinamentos que não podiam se perder.

A principal condição para que o indivíduo fizesse parte do Povo de Israel sempre foi Crer, acima de tudo no Deus de Israel!

                                                                                              SHALOM!



                                                                                                                             Rabi Marcelo Barzilai

AS LEIS DE NOAH (Noé)

1ª- CRER EM D’US

Não servir a ídolos, reconhecendo que só há um criador !



2ª- NÃO BLASFEMAR O NOME DE D’US

Respeitar o Criador e Louvá-lo, nunca reclamando, pos mesmo quando somos repreendidos estamos sendo beneficiados por Ele.



3ª- NÃO ROUBAR

Respeitar os direitos e as propriedades alheias, entendendo que nossos limites vão até onde começam os limites do próximo.



4ª- NÃO MATAR

Reconhecer que somente D’us tem o poder para dar a Vida e também tirá-la.



5ª- NÃO COMETER ADULTÉRIOS

Adulterar não diz respeito apenas à família, mas também à balança enganosa.



6ª- PERSEGUIR A JUSTIÇA

Cumprir as Leis e lutar para que as mesmas sejam cumpridas.



7ª- NÃO SER CRUEL COM ANIMAIS

Respeitar os Seres Vivos e entender que alguns foram feitos para alimentos e outros para o controle biológico da Terra.Respeitar as prescrições alimentares.









SEJA FELIZ !





Rabi Marcelo Barzilai

Quem são os sefaradis?

Em certa ocasião ao ler um artigo do professor doutor Sérgio Feldman, a quem expresso grande admiração, ainda que não o conheça pessoalmente, vi que o mesmo manifestava o desejo de ser Sefaradi. Tenho certeza de que pelo mesmo encanto quase misterioso da mistura Árabe/Israelita com a qual me identifico quando imagino que nossa presença na Espanha permitiu ao engenheiro David Zumerkorn pesquisa em que aponta no mínimo 20 nomes de Rabinos cientistas da era medieval, nos dando um caminho a ser seguido entre a Ciência e a Fé.

Ser Sefaradi é isto! Ter a convicção de que quando meus antepassados navegaram das Ilhas Canárias até a costa do Estado de Santa Catarina o fizeram não apenas porque mesmo quando se declaravam cristãos-novos continuavam vítimas da intolerância, mas porque sentiam que no fundo jamais haviam deixado de crer exatamente como crê o judeu. Um cristianismo babilônico, desfigurado. Uma pré-disposição à vontade humana, onde o poder político de controle em relação à maioria, aliado a necessidade da conquista de territórios permitiu quase que a nulidade da fé genuína. “Vejam que eu disse quase”, porque acredito que muitos absorveram os ensinamentos do Messias Judeu, entretanto, a religião romana jamais permitiria que “ os do caminho” continuassem judeus. Seria muito fácil desmascarar a nova doutrina, onde o domínio até hoje empregado sobre as pessoas causou uma cegueira com conseqüências irreversíveis.

Temos visto a proliferação de movimentos chamados Judaico/Messiânicos e de Denominações Religiosas que pela semelhança doutrinária com a fé de Abrahão tentam reclamar para si a originalidade da fé contrariando o preceito de que somos um Povo Livre. Livres para decidirmos, inclusive se queremos ou não retornar às nossas origens. Por que não podemos retornar, sem que para isso precisemos negar nossas convicções? É certo que vivemos em uma época em que muitos, após várias decepções em relação aos lugares por onde andam em busca de um relacionamento mais íntimo com D’us, acabam por individualizarem sua fé,  se sentido assim mais confortáveis.

Quantos são os Sefaradis espalhados por esse Brasil afora? Quem é essa multidão de pessoas que inegavelmente buscam o conhecimento? Vítimas de uma sociedade que sofre da Síndrome da Irreflexão (Teoria da filósofa Hannah Arendt), cujo mal gera principalmente a despreocupação em preservar sua própria história.

Precisamos permitir esse retorno, daqueles que assim desejarem, entretanto, sem esquecermos de que será impossível resgatar e/ou preservar a história sem nos preocuparmos com a Tradição. Sou Sefaradi e conheço inúmeros iguais a mim a quem tem sido negada a possibilidade de retorno. Brasileiros que se identificam apenas como descendentes de portugueses remontando uma história forjada de descobrimento sob o domínio ainda do Império Romano, disfarçado de Religião dos pobres.



(Rabi Marcelo Barzilai )